sábado, 8 de fevereiro de 2014

A minha experiência com Old School


Naquela época eu já sabia o que era RPG, tinha visto algumas revistas Dragão Brasil e lido sobre o assunto, mas houve um momento que marcou o início do meu amor pelo jogo.
Morava com um primo e, num belo dia, ele chegou com um conjunto de RPG, coisa diferente. Não era só uma revista que falasse sobre a coisa, era o jogo mesmo! Não sei de onde, mas ele havia arrumado uma caixa do First Quest. Eu tinha uns 10 anos na época.


Aquilo teve um impacto gigante em mim. Aquele estojo com o guerreiro e o dragão, aquelas miniaturas, as fichas prontas, o livro de monstros, aquelas ilustrações lindas (e que não eram mangá!). Tudo fazia minha imaginação ir nas alturas; naquela época eu escutava o exemplo de jogo que vinha no CD todos os dias.
É claro que eu só poderia ler os folhetos de regras, as magias e quando muito, dar uma olhadinha no livreto dos monstros, afinal, o mestre era meu primo. Mas jogamos uma vez só e o mestre insistia que eu tinha que invadir as salas na ordem escrita no livro, pois só assim ele poderia usar o CD. A partida foi bem frustrante, mas eu tinha claro na minha mente que ele deveria ter feito alguma coisa errada.
Como não jogamos nunca mais, acabei lendo todas as aventuras. Pra mim, ler aquilo era como jogar a aventura, e eu li aquelas aventuras MUITAS vezes.
Eu percebi logo a desvantagem do tal kit iniciante. Não havia regras para criar personagens e aquilo parecia realmente estranho, por que eu não poderia fazer meu próprio aventureiro? Lembro que foi um tempo depois que percebi isso que meu primo apareceu com um Livro do Jogador de AD&D. Não larguei o livro por dois dias, mas o negócio era emprestado e quando foi devolvido, cortaram-se meus laços com aquele enorme mundo de possibilidades. Só ficava lembrando de algumas regras para criar personagens e também das imagens do livro.
Bom, eu era extremamente tímido para tentar mestrar e nunca conheci ninguém que jogasse efetivamente um sistema de fantasia medieval. Anos depois acabei entrando para um grupo de Vampiro: a Mascara e joguei por anos com eles, mas sempre me lembrava daqueles monstros e das perigosas cavernas.
O Próximo contato que eu tive com o D&D foi já na 3ª edição. Aquele livro bonito, cheio de imagens coloridas e super bem desenhadas me pegou completamente. Joguei algumas aventuras com um amigo meu, ele era um ótimo mestre e me lembro de ótimos momentos até hoje, como quando um dos vilões nocauteou com uma pedrada o halfling ladrão do grupo que voava sorrateiramente por cima dele, mas foi percebido. Bons tempos, mas acabei me mudando e nunca mais joguei com essa galera.
Mas todo aquele gosto pelo RPG havia voltado, os vampiros que fossem pro inferno, eu gostava era de espadas e dragões! Até jogar novamente.
Na cidade onde passei a morar conheci várias pessoas que jogavam D&D 3.5. Em geral, todos eram jogadores que amavam fazer combos com aquelas milhões de habilidades e as conversas após o jogo sempre giravam em torno de qual talento pegar no próximo nível ou então sobre como fazer tal habilidade mais forte, classes de prestigio (que eu sempre odiei e ocupavam mais da metade de qualquer material publicado). Aquilo era totalmente frustrante eu passei a detestar aquele sistema, onde estava aquela aventura toda da tal fantasia medieval (hoje entendo que o sistema guia o estilo de jogo, mas que eu acabei dando azar nos grupos que achei)?

Essa imagem, comparada à primeira do texto e que vinha no First Quest, sempre me deixou extremamente broxado em relação a aparência dos personagens. O que diabos é esse halfling?!

Deixei de jogar novamente e me mudei mais uma vez. Foi quando, totalmente por acaso, encontrei o beta do old dragon e conheci a OSR e o estilo Old School. Era isso que eu jogava na minha adolescência e gostava, finalmente havia entendido! Comecei a procurar materiais antigos e a ler tudo sobre o assunto.
Aquele encanto havia voltado. As ilustrações clássicas, os textos literários, as regras que poderiam ser ignoradas. Me senti novamente acolhido pelo hobbie e deste então, nunca mais larguei o jeito velho de jogar (mesmo tendo jogado muito pouco na época em que ele era "o jogo da vez").

4 comentários:

  1. Fico bastante feliz de ver o blog de novo na ativa.

    Tão feliz que mesmo bastante ocupado, faço questão de passar por aqui :)

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    1. Hey, quanto tempo! Fico feliz que tenha passado por aqui!
      De fato... É difícil arrumar um tempo pra postar e ler os blogs com alguma frequência, mas sempre vale a pena, hehe.

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  2. Salve, nobre irmão!

    Apenas recentemente pude conhecer teus nobres reinos, e digo-te que gostei muito do que vi nestas terras! Minha impressão/experiência com D&D 3 foi exatamente como a tua; em meu grupo, esforcei-me ao extremo para evitar que as malditas classes de prestígio e combos fatais de regras nefastas tirassem o foco do role playing, e fui razoavelmente bem sucedido, graças à boa vontade de meus jogadores, principalmente.

    Mas fora deste círculo, as conversas sobre RPG eram realmente desanimadoras, nada parecidas com as da época do Hero Quest e AD&D. E agora, com a 4a edição do jogo, tudo piorou MUITO. Com o lançamento da 5a edição ainda este ano, espero que os bons tempos retornem novamente, mas foi muito bom ler tuas palavras neste espaço.

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    1. É uma honra te ter por aqui!
      Hero Quest também foi um grande marco na minha vida, apesar de não estar ai na postagem. Vou te falar a verdade, eu nunca cheguei nem perto da 4ª edição. Os livros são caros e as aventuras que eu li são apenas um amontado de números para combate, bem desanimador, hehe.

      Existem outras opções quando às regras, temos o brasileiro Old Dragon e uma variedade bem grande de gratuitos disponíveis em inglês. Vale a pena procurar :D

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